sexta-feira, 23 de maio de 2014

COMPORTAMENTO COLETIVO: Até que ponto somos influenciáveis ???

 Diante das publicações técnicas e não-técnicas já postadas nesse blog já pôde-se observar algumas tendências que nos levam a tomar determinadas decisões em detrimento de outras.


  
  Partindo da seara do comportamento estritamente humano, na qual se refere o Comportamento Coletivo, fica uma pergunta instigante no ar: 
    Até que ponto um determinado público alvo ou nicho da sociedade é influenciado a tomar uma decisão ?

  
  Conforme vimos, algumas decisões que tomamos em nosso dia a dia provém do nosso consciente e há um fator também proveniente do nosso subconsciente. Nosso pensamento racional toma partido na maioria das decisões entretanto, não podemos deixar de salientar a carga devido ao fator emocional, fator genético, enfim, todos esses componentes acrescidos de outros já citados tem um grau de participação. 

   A pergunta principal é : de que forma somos condicionados a escolher aquele produto mais caro na prateleira do supermercado ou comprar o Iphone 5 da Apple com funções que talvez jamais usaríamos?



   A comunidade científica já possui uma série de estudos no sentido de estudar comportamentos que nos levam a agir de uma maneira, digamos, previsivelmente irracional. A Scientific American  traz alguns estudos revelando que, ao contrário do que muita gente pensava, ter muitas opções de escolha nos leva a tomar decisões piores e que fará com que nosso bolso pese mais, por exemplo. 
É o famoso peso da propaganda que vincula fortemente, através dos meios de comunicação, a (des)necessidade de comprar o produto de utilidade e necessidade muitas vezes duvidosa. Aquela imagem de modelos e artistas de TV utilizando ou consumindo determinado produto traz consigo o extremo peso de que aquilo é necessário para nosso dia a dia, ou então, aquela nova funcionalidade de determinado aparelho irá resolver nossos problemas de uma vez por todas, ou mesmo aquele novo modelo de carro nos incluirá em um status quo que todos nos invejarão.

   Para Camile Maria Costa Corrêa, que estuda fatores que influenciam a tomada de decisão no Laboratório de Neurociência e Comportamento da USP, esse tema é prolixo e envolve uma série de fatores. Veja algumas dicas: 

   O que a ciência já sabe sobre a maneira como tomamos decisões?
   Sabe-se que a maioria das nossas decisões são automáticas, pois são fruto de processamento inconsciente. Descer uma escada ou retirar a mão de uma chapa quente são decisões que precisam ser rápidas, sem interferência da verbalização interna. Mas há decisões complexas que envolvem situações de risco e exigem racionalização. Em tomada de decisões, simples ou complexas, é o sistema nervoso que avalia as alternativas possíveis, geralmente de forma a maximizar os ganhos e minimizar as perdas. A neurociência vem desenvolvendo métodos para avaliar como a cognição, emoção, atenção e memória e outras variáveis contribuem para o processo. A decisão não é uma simples escolha entre alternativas, mas um processo que depende da experiência do indivíduo e de sua capacidade de identificar os principais fatores da situação.

Como as propagandas e outras influências externas podem afetar as nossas escolhas e o que podemos fazer para não sermos tão influenciáveis?
   As propagandas sabem usar elementos que apelam às nossas motivações. O que se vende numa propaganda geralmente é só contexto e as promessas de bem-estar associadas a um produto. Oferecê-lo pode ser satisfatório por dois motivos: suprir uma necessidade ou suprir um desejo. Para não sermos tão influenciáveis, mais importante do que saber que essas estratégias existem é conhecer os seus valores pessoais. A instrospecção (exercício de saber sobre si mesmo) pode ajudar a filtrar o bombardeamento de oportunidades imperdíveis, promoções e liquidações. Valorizar mais objetivos a longo-prazo do que os imediatos são escolhas geralmente conservadoras, mas que impedem ceder à tentação das propagandas.

   Que outras atitudes ajudam a tomar decisões melhores?
Ser capaz de prever eventos fornece tempo para preparar reações, de forma a melhorar as escolhas que se venha a fazer no futuro. Por outro lado, raciocinar sobre as próprias decisões, exercitar a introspecção pode ser uma boa estratégia para identificar valores e objetivos a curto e longo prazo, ajudando a construir critérios sobre suas necessidades e motivações. Deixar a “intuição” falar também pode ser uma boa opção em vários casos. Saber que, em alguns casos, as decisões “impensadas” geram resultados melhores não significa necessariamente agir impulsivamente. A força da intuição está nas experiências. Às vezes elas bastam, às vezes não.

   Como o cérebro atua nesse processo?
   Processos inconscientes, expressos no estado de motivação de um indivíduo, dependem, grosso modo, do funcionamento do tronco encefálico e dos gânglios da base. Já as reações emocionais são fruto de processamento do sistema límbico: elas são o pano de fundo, o cenário em relação ao qual as decisões são tomadas. Finalmente a atividade de áreas frontais (córtex pré-frontal) é associada ao planejamento decisório, ao controle dos impulsos e à decisão racional. Mas é importante lembrar que não existe essa aparente compartimentalização do cérebro na hora de decidir. Todas as áreas têm sua contribuição relativa e interdependente, só que umas são mais recrutadas do que outras.

   O estudo indicou que ter muitas opções pode nos atrapalhar. Por que isso acontece?
   Antes se pensava que quanto mais alternativas tivéssemos, melhor seria a nossa decisão. As opções eram vistas como promotoras da nossa liberdade de avaliar A melhor opção. Entretanto, escolher dentre inúmeras alternativas de marcas de produtos no supermercado, celulares, carros etc. virou um processo tão custoso que as pessoas sentem-se aliviadas quando não precisam decidir. Quando temos que escolher uma alternativa, é necessário abrir mão de muitas outras potencialmente boas também. Isso gera um sentimento de perda e situações de impasse cuja resolução é tão difícil que pode ser mais fácil desistir.

  Como o estresse afeta a tomada de decisões?
   O estado de estresse claramente prejudica várias funções cognitivas, como memória, atenção e a tomada de decisões. O estresse pode levar a decisões impulsivas ou mesmo perseverativas. Pode restringir a busca por soluções, pode impedir a flexibilização do raciocínio.

   Que outros fatores dificultam o ato de fazer escolhas?
   Geralmente, acreditamos que não somos responsáveis por decisões tomadas em situações de coerção, ignorância, intoxicação involuntária, insanidade ou ausência de controle. Além dessas situações, o excesso de opções, pouco tempo para decidir, falta de atenção, existência de distrações, apelos por decisões impulsivas, vieses emocionais ou excesso de racionalização, são empecilhos à decisão.

   
Fonte: 
http://www.scientificamerican.com/article/speed-dating-decision-making-why-less-is-more/  (Acessado em 23/05/2014)

Nenhum comentário:

Postar um comentário